quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Ativos, passivos e educação financeira

Um livro famoso sobre educação financeira é o Pai Rico Pai Pobre, do americano Robert Kiyosaki. Nesse livro ele explica o que talvez seja a coisa mais fundamental na área da educação financeira: a noção do que é um ativo e o que é um passivo.

Basicamente, ativo é tudo aquilo que põe dinheiro no nosso bolso. Passivo é aquilo que tira dinheiro do nosso bolso. Em alguns escritos o Kiyosaki também cita uma terceira categoria, chamada em inglês de "doodad", que em português significa "supérfluo" ou "enfeite".

Exemplos de ativos: aplicação financeira, como poupança, CDB ou Tesouro Direto (vão render juros periodicamente); um negócio próprio que gera lucro, como um quiosque de sorvete na praia; um imóvel que gera renda do aluguel.

Exemplos de passivos: assinatura de TV a cabo e associação em clube (vão debitar uma quantia mensalmente de nossa conta bancária); juros de dívidas que são cobrados periodicamente; pagamento de aluguel.

Exemplos de "doodads" ou "enfeites": celular novo; sapato novo; viagens de lazer.

Um imóvel é um ativo ou passivo? Depende. Se a pessoa é proprietária de um imóvel e reside nele, o imóvel será um passivo, pois irá gerar despesas regularmente, como impostos, manutenção, condomínio, conta de energia, etc. Se a pessoa aluga o imóvel e recebe a renda do aluguel, será um ativo.

Carro é ativo ou passivo? Na maioria dos casos um passivo, pois é algo que perde o valor com a passagem do tempo e ao mesmo tempo gera diversas despesas. Se por outro lado o carro estiver sendo usado como taxi, será um ativo.

Aplicação em ações é um ativo ou passivo? Depende, se a pessoa comprou por R$ 100 e agora vale R$ 200, um ativo. Se comprou por R$ 200 e agora vale R$ 100, um passivo.

Infelizmente, segundo o livro "Pai Rico Pai Pobre", a maioria das pessoas não sabem distinguir um ativo de um passivo. Os ricos são aqueles que adquirem ativos quando possuem dinheiro. Compram um imóvel para alugar, fazem aplicações financeiras, abrem um novo negócio, e com isso vão ampliando suas fontes de renda. Os pobres ou classe média costumam fazer o contrário. Quando recebem um aumento ou ganham um dinheiro extra, acabam comprando um carro novo, trocam os móveis da casa ou compram o último modelo de telefone celular do mercado. São passivos ou "enfeites" que não vão gerar nenhum lucro, apenas novas despesas.

No longo prazo a vida financeira fica mais fácil se a pessoa construir primeiro uma bagagem de ativos. Esses ativos irão gerar uma renda paralela a do emprego da pessoa, e essa renda poderá até superar a renda do emprego tradicional. Ao contrário, se a pessoa adquirir muitos passivos ou "enfeites" ao longo da vida, o processo será mais difícil, pois terá despesas e dívidas acumuladas, e uma dependência do emprego tradicional para pagar estas contas. Hoje em dia é arriscado depender totalmente de um emprego, pois existe sempre o risco da pessoa ser demitida e perder esta fonte de renda.

Isto não significa que a pessoa não deva comprar um carro ou um apartamento para morar em hipótese alguma. A compra do passivo pode ser algo inevitável em determinado contexto. O importante é estar consciente das alternativas e principalmente colocar a matemática para analisar cada situação.

No ano passado, por exemplo, o jornal OGlobo publicou uma matéria fazendo uma comparação entre o custo de possuir um automóvel e o custo de andar de táxi (leia aqui). Dependendo de onde a pessoa mora e da distância que costumar percorrer, o táxi pode sair mais barato do que o carro.

O mesmo raciocínio vale para decidir entre comprar ou alugar um imóvel. Muitas vezes pode valer mais a pena alugar do que comprar. Caso esteja interessado, este artigo do Dinheirama detalha o assunto.


Cofre porquinho


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