quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
2008 foi um ano intenso para o mundo. Míriam Leitão resume em seu blog:
Estados Unidos e Inglaterra estatizaram bancos e seguradoras. GM, Ford e Chrysler chegaram à beira do colapso. O petróleo foi a US$ 147 e a US$ 35. Um negro foi eleito para a Presidência dos EUA. O Lehman Brothers quebrou. Bolsas despencaram no mundo inteiro. Itaú e Unibanco se fundiram. Vivemos um ano louco. Difícil resumir a montanha-russa, os sustos, os extremos de 2008.
E agora, o que esperar de 2009?
Palpites sobre o ano que inicia não faltam. Tem gente falando que as coisas vão piorar e outros indignados com a propaganda negativa que tem circulado. O segundo grupo não deixa de ter razão. Nem todas as notícias negativas que lemos nos jornais irão necessariamente nos atingir. O evento pode não estar conectado com o nosso contexto particular, por isso é importante mantermos o senso crítico e trabalharmos para melhores resultados, independentemente do que está sendo veiculado na mídia.
A melhor sugestão para 2009 talvez seja a cautela. Será um ano em que as pessoas precisarão ter mais cuidado com o dinheiro, as despesas e as aplicações.
O que fazer para tornar a vida financeira mais interessante em 2009?
Em primeiro lugar, não subestime a importância da organização. Organização financeira não é coisa apenas para economistas ou investidores profissionais. Qualquer pessoa que tenha acumulado algum dinheiro pode confirmar que a organização é um componente chave no processo de enriquecimento.
Crie o hábito de organizar os seus documentos, guardar as notas fiscais, contas e recibos que você costuma receber. Entenda o que lhe está sendo cobrado. Faça um registro das despesas e receitas que você teve em cada dia que passou. Compare as contas antigas com as contas mais recentes e veja como foi a variação daquele gasto ao longo do tempo.
O importante é identificar em que áreas você pode cortar gastos. Alguns gastos são fixos, como a mensalidade escolar e o IPTU, e são mais difíceis de serem alterados. Outros, como supermercado e lazer, variam, e são nesses que devemos focar a nossa atenção. Faça um corte dos excessos, estabelecendo limites semanais ou mensais para cada categoria de gasto variável que possui. Entenda esse limite como algo sagrado e tenha força de vontade para não ir além da meta que estabeleceu.
O objetivo final disso tudo é fazer concretizar uma fórmula simples, mas fundamental:
poupança = (receita - despesa)
Se a equação acima está fechando no azul pra você, parabéns! Pode começar a pensar na próxima etapa.
O que fazer com o dinheiro que sobrar em 2009?
Aqui vai o bom senso e o conselho de sempre: se você tem dívidas, concentre-se primeiro em pagar as suas dívidas. Saldo no cartão de crédito e cheque especial devem ser zerados o quanto antes, pois os juros cobrados são altíssimos! Estude a possibilidade de fazer um empréstimo consignado para pagar estas dívidas (provavelmente os juros serão mais baixos).
Usar as sobras mensais para o pagamento de dívidas é um processo doloroso, pois fica parecendo que o nosso esforço para poupar foi em vão. É um engano pensar assim, pois ficar livre das dívidas é conquistar um estado de liberdade. Significa deixar de ser escravo do banco - no fundo é isso que acontece quando pagamos juros periodicamente!
Ao livrar-se das dívidas, a melhor coisa a fazer é construir logo um colchão de emergência, uma quantia que esteja disponível para situações inesperadas, como desemprego ou um problema de saúde na família. Esta reserva deve ser equivalente a pelo menos 6 meses de despesas.
E quanto aos investimentos?
Para quem está com as dívidas sob controle e possui um colchão de emergência formado, onde aplicar as sobras mensais em 2009?
Obviamente isso vai depender do perfil de cada um, do montante e dos objetivos que possui. Em todo caso, é interessante analisar como foram as coisas em 2008. Segundo o site InfoMoney, o ouro e o dólar foram as melhores escolhas de 2008, com valorização real de mais de 20%. A renda fixa rendeu algo em torno de 2% acima da inflação. O pior indicador foi o da bolsa de valores (Ibovespa), que fechou o ano com prejuízo superior a 40%.

Para 2009, o economista PHD e professor da UFPR, Mauro Halfeld, diz em seu podcast:
Para os conservadores que aceitam arriscar um pouquinho para ganhar mais: fundo de renda fixa de longo prazo, CDB pré-fixado e Tesouro Direto pré-fixado. Isso porque o Banco Central provavelmente vai reduzir os juros nos próximos meses e essas taxas pré-fixadas vão ser, então, muito vantajosas. E para os mais ousados, ações. Elas podem virar o jogo e terminar 2009 na frente do próximo ranking.