terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Controle de gastos e orçamento doméstico

Como você ganha e como você gasta? Você faz parte de uma minoria caso o seu salário esteja cobrindo com tranquilidade as suas despesas do mês. Você provavelmente está investindo o que sobra e construindo um futuro financeiramente mais interessante. Se esta é a sua realidade, parabéns!

Caso o seu salário esteja apenas pagando as suas despesas, fique atento. Se as despesas estão sendo maiores do que o seu salário, você está vivendo perigosamente, provavelmente financiando seus gastos com cheque especial ou cartão de crédito. Cuidado, pois não existe "almoço grátis", nem crédito gratuito! Consumir além da conta hoje significa consumir menos amanhã. Lembre-se de que o pagamento de juros é inevitável e o ato de pagar juros para o banco é algo muito próximo de rasgar dinheiro.

Fazer o orçamento caber dentro do salário é uma habilidade que poucas pessoas possuem. É uma tarefa que requer sacrifício e disciplina. No começo parece difícil, mas o hábito e a persistência deixam o processo mais fácil. Não temos dúvidas de que no final a pessoa colhe bons frutos!

Como fazer um bom orçamento doméstico?

O primeiro passo para organizar as suas finanças é estar verdadeiramente aberto para novos hábitos. As pessoas buscam mil razões para adiar o início de um controle financeiro mais disciplinado. A procrastinação não vai lhe ajudar, portanto pare com o "chororô" e comece agora.

Pegue um papel e uma caneta. Respire fundo. Faça agora uma relação detalhada das suas fontes de renda e das suas despesas. O que você lembrar, escreva no papel. Coloque o maior número de itens que conseguir. O chiclete que comprou no camelô na saída do trabalho? Sim, escreva "chiclete na saída do trabalho". A lente de contato que você precisa comprar a cada 3 meses? Sim, coloque na lista. Não se engane, pois é importante ter uma relação completa, que seja fiel à sua realidade.

Já tenho uma lista, e agora?

Agora é hora categorizar os gastos. Existem 3 categorias principais:

  • Gastos fixos: são aqueles em que você paga o mesmo valor todos os meses, como: aluguel, prestação da casa, IPTU, mensalidade de colégio e seguro;
  • Gastos variáveis: são contas que podem ter valores diferentes, como: supermercado, água, luz, telefone e energia elétrica;
  • Gastos arbitrários: são contas que não se repetem todo mês e que não são essenciais, como roupas novas e viagens de lazer.

Reveja cada item de despesa da sua lista e marque em qual das três categorias acima ele se encaixa.

Saiba o quanto pode gastar

Você tirou uma fotografia de seus hábitos financeiros e agora tem a lista do que entra e do que sai do seu bolso. Isso é ótimo, mas não chega a ser suficiente para que você atinja o seu melhor resultado.

Você deve estabelecer metas para cada categoria de gasto que possui. Coloque um limite de valor máximo que pretende gastar mensalmente em cada categoria. Calcule isto de forma que as suas despesas sejam menores do que os seus ganhos. Tente fazer sobrar pelo menos 5% dos seus ganhos. 10% seria bom. Obviamente, quanto mais, melhor. Não importa o quanto você ganha, apenas faça essa conta fechar no azul.

Geralmente não se tem muita margem para manobra com os gastos fixos. Portanto, concentre-se em diminuir os gastos variáveis e principalmente os arbitrários. Muitas vezes os gastos arbitrários são os responsáveis pelo estouro do orçamento. A redução drástica dos gastos arbitrários pode ser feita imediatamente, pois eles não são críticos ao dia-a-dia.

O hábito do registro

Lembre-se todos os dias de registrar as movimentações financeiras que você teve. Compras, ganhos e transferências. Faça um histórico de tudo. O hábito de registrar motiva a pessoa a fazer escolhas mais acertadas toda vez que ela vai comprar. É um hábito que ajuda a desenvolver a acuidade financeira.

Pode ser que você estoure a sua meta nos primeiros meses. Não se preocupe, pois isso não é o fim do mundo. É algo esperado, já que os primeiros meses são de aprendizado. Nesse caso você deverá ajustar novamente as metas para que elas fiquem mais realistas. Você precisará identificar outros excessos que possam estar escondidos.

Os gastos pequenos fazem uma diferença brutal se considerados no horizonte do tempo. Um cafezinho com pão de queijo no shopping custa R$ 3,50. Se a pessoa costuma comprar isso 3 vezes por semana, vai gastar em torno de R$ 42 no mês. Não é muito, mas se pensarmos no valor anual isso significa R$ 504, o que é significativo.

Gastos pequenos, como no exemplo do café, ficam evidentes quando a pessoa tem o hábito de fazer um histórico de gastos. O histórico não vai tornar o café gratuito, mas vai dar uma boa noção do quanto está sendo gasto com ele e vai dar para a pessoa o poder de decidir entre continuar fazendo isso ou cortar o gasto imediatamente.

Armadilhas

Existem algumas armadilhas que podem surgir. São elas:

  • Cheques pré-datados: saiba quanto será cobrado mensalmente de eventuais compras que você fez de forma parcelada. Não permita surpresas (dentro do possível). Faça o planejamento de metas considerando estas cobranças;
  • Pague as contas até a data do vencimento: fuja de juros como o diabo foge da cruz. Respeite sempre a data do vencimento, para evitar multas e cobranças adicionais;
  • Pesquise preços: jamais compre algo sem antes verificar o preço em diferentes lojas e/ou prestadores de serviço. É impressionante como os preços podem variar. Às vezes a simples localização da loja pode encarecer ou baratear o produto;
  • Parcelamentos: financeiramente é melhor acumular dinheiro para comprar à vista do que comprar a prestações assumindo juros. Se você puder esperar até possuir o montante total, espere;
  • Compras por impulso: entenda a diferença entre "precisar" e "desejar". Não cometa a auto-corrupção alegando que você precisa de algo quando na verdade apenas deseja. Evite compras que sejam impulsivas.
  • Saldo ilusório: pela falta de conhecimento financeiro, algumas pessoas agregam ao seu saldo mensal disponível o limite do cheque especial ou pagam o mínimo da fatura do cartão, acreditando que possuem mais recursos disponíveis. Entenda: o saldo que você possui é apenas o das suas receitas. Você não deve contar com nenhum crédito externo, pois para eles existe sempre um custo, na forma de juros.

Organizar as finanças pessoais é algo que pode e deve ser desenvolvido por todos, independente da idade ou do quanto se ganha. Fazendo um bom controle financeiro você ficará surpreso: vai descobrir que tem mais dinheiro do que imaginava.



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